85. As psiconeuroses 2
12/05/202
As fobias costumam ser consideradas medo absurdo ou exagerado, que excede os aspectos da consciência humana, da razão de cada um de nós. Existe alguma história no mundo interno não resolvida ou não administrada pelo psiquismo, que necessita, assim, de uma exteriorização ao preço da ilogicidade. Limita e prejudica o indivíduo, por intermédio dos contextos observados envolvidos. Por exemplo: não pode viajar de avião, não pode caminhar, não pode utilizar elevadores e assim por diante.
Repetindo, trata-se de um medo absurdo que representa algum conteúdo do mundo interno do fóbico. Algo inconsciente expressa-se na realidade exterior e altera a percepção da realidade. Uma simples borboleta, ao bater asas, abrir e fechá-las, pode representar abrir e fechar pernas. Um passeio público pode representar desejo de prostituição. Sentir-se acuado e nu pode significar certo exibicionismo.
Conforme o leitor concluiu, existe sempre algo interior que se projeta no exterior, e isso precisa ser compreendido profundamente pelo analisando. Esse insight deve produzir em cada indivíduo uma diminuição dos fatores relacionados com as fobias.
Falei, no início, em introjeção e tratei mais da projeção. Espero que fique claro que não existe projeção sem a internalização introjetada de parte da realidade externa no psiquismo vitimado. Os conflitos do mundo interno encontram formas singulares para estruturação dos sintomas fóbicos apresentados. É interessante observar-se que existe, ao longo da historia, um termo grego em geral para designar cada objeto fóbico - claustrofobia, acrofobia, aracnofobia e assim por diante.
O nome da cada estudo, no complexo universo, parece significar até para alguns cientistas um conhecimento, é claro, inexistente da enorme maioria dos astros, os nomes são soberanos. Sabe-se que até na área da saúde mental as classificações não significam entendimento profundo dos comportamentos humanos alterados ou não alterados. Os nomes dos transtornos mentais são, antes de mais nada, nomes hipoteticamente científicos. Nossas verdades são apenas interpretações humanas do desconhecimento. Muitas dúvidas são preenchidas com palavras que passam a explicar muita coisa, conforme queremos demonstrar.
Sei que a ciência procurou e explicou parte considerável da realidade externa. Sei que a ciência ainda explicará muita coisa. Mas, certo desconhecimento continuará. Nesse contexto, surge a religião.
A religião responde sempre tudo do jeito que quer, e o desconhecido deve ser aceito de modo absoluto. A fé, de alguma forma, responde sempre ao desconhecido. Os dogmas devem ser a "verdade" absoluta de tudo: o conhecimento eterno das coisas. Devemos aceitar o desconhecido e não criar as respostas científicas necessárias.
Para finalizar as considerações sobre as psiconeuroses, descreverei o principal nas neuroses obsessivo-compulsivas, transtorno grave do psiquismo que muitas vezes se parece com uma psicose. Aqui, existem obsessões ou pensamentos muitas vezes ilógicos e absurdos, como nas fobias. Porém, as compulsões ou até atos podem minimizar as aparência externas e até internas, e o indivíduo portador desse transtorno, na maioria das vezes, não procura auxílio psicanalítico e nem outros profissionais da área. São observados como verdadeiros filósofos e até sábios.
Na próxima semana continuarei abordando as psiconeuroses.
NOVO DESAFIO
Inúmeras folhas em branco.
Mais uma e o desafio.
Mais uma e uma procura.
O nada, o branco, sem limites.
Busco qualquer palavra que nomeie.
Só ousadia e talento podem
produzir vertigem, medo, alegria.
Meu verso, minha poesia…
Capengam. Claro que insisto.
Escorregam entre mãos
paradas, que também esperam.
Cada palavra pode ser um
reflexo da realidade.
E daí?
Cada palavra pode encobrir
coisas. E daí?
A página continua vazia.
Sem letra, com o sempre nada.
(poema de minha autoria)
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