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79. "Quadros" depressivos e manias 1

31/03/2020

O luto é uma reação absolutamente natural e normal frente à perda de um ser amado. Este costuma ser uma pessoa próxima e querida, mas pode, é claro, ser um cachorro e um gato.

Também a pessoa pode perder algum lugar muito importante ou um objeto muito valorizado por ela. Todos nós podemos ter uma reação emocional de luto que, com o passar de algum tempo variado, vai influenciando menos o comportamento da vida. Não há predisposição alguma. Cada um vive essas situações de maneira peculiar e única.

Em alguns indivíduos, as mesmas influências produzem melancolia e não luto. Existem aqui algumas complexidades variadas. Parece haver predisposição e nem tudo é lógico. Às vezes, há uma reação crônica, intensa e que demora bastante para melhorar.

​Na reação de luto, existem quase sempre sentimentos de culpa vinculados a uma tristeza acentuada. Entretanto, há certa lógica nos sentimentos reativos. Em se tratando de melancolia, as perdas nem sempre existem, ou às vezes parecem absurdas. Os indivíduos, nesse cenário, perderam parte narcísica e onipotente de si mesmos, numa verdadeira regressão da autoestima. O ego uniu-se com o superego e agora maltrata a pessoa vitimada. O tempo e a profundidade são maiores e o indivíduo costuma sentir-se merecedor de todo e de tanto sofrimento. Sofre e parece, na sua introspecção, gostar desse certo sentimento, porque isso faz diminuir suas autoacusações e culpas.

​Conforme já foi narrado antes, a separação com a figura maternal, mãe ou equivalente, no fim da amamentação, pode gerar sentimentos de perda. Estes podem ser vividos como despedaçamento, separação, sofrimento e castração. Também o indivíduo pode sentir que parte de si próprio desaparece. Tanto no inconsciente como no consciente, existem correntes de palavras associadas com a perda ou a separação.

A metapsicologia freudiana narra inúmeros aspectos desse sentimento e ele, Freud, já havia formulado as questões básicas da psicanálise. Já conhecia com maior profundidade os problemas habitados no saber psíquico. A libido articulada com o narcisismo produzia depressão e esta, quando negada de modo forte, produzia o estado maníaco. O outro lado da mesma moeda. O ser humano é capaz de quase tudo.

​Feitas essas considerações iniciais, é claro que os antidepressivos não vão funcionar nas verdadeiras histórias de luto, nem em altas doses, pois os sentimentos de perda fazem parte da chamada normalidade psíquica. Agora o enfoque diz respeito a certa classificação dos transtornos depressivos, as alterações de humor ou afetivas. Em todos eles predominam a tristeza e/ou a depressão, que podem estar vinculadas com ansiedade ou não. Eles melhoram com os psicofármacos: antidepressivos e com ansiolíticos.

​Existe algum aspecto somático criando predisposição e, nos casos graves, a participação orgânica parece evidente. Daí decorre o nome endógeno: algo no âmago do psiquismo de natureza provavelmente orgânica. A origem pode ser metabólica, vital ou qualquer outra hipótese biológica ainda muitas vezes desconhecida. Lembrando que o endógeno não possui tradução clara. É algo incógnito.

​Tais depressões podem ser leves, moderadas ou graves e associadas com a ansiedade, revelando perigo maior de suicídio, como veremos posteriormente. As depressões podem estar vinculadas aos transtornos psicóticos, com alucinações e delírios, e necessitam também cuidados adequados, devido aos riscos maiores. Junto com os antidepressivos e ansiolíticos deve-se introduzir antipsicóticos, muitas vezes.

Outro lado merece ser enfocado positivamente. Em alguns indivíduos existe o momento depressivo apenas no estado único que não merece tratamento psicofarmacológico.

No quadro depressivo, o prazer e a energia estão reduzidos e a pessoa encontra-se triste. Ver CID-10, página 117:

“(a) concentração e atenção reduzidas;
(b) autoestima e autoconfiança reduzidas;
(c) ideias de culpa e inutilidade (mesmo em um tipo leve de episódio);
(d) visões desoladas e pessimistas do futuro;
(e) ideias ou atos autolesivos ou suicídio
(f) sono perturbado;
(“g) apetite diminuído”.


Na semana que vem, continuarei tratando desse assunto.

MARINHEIRO

Esperança em cada porto.
Vivência do marinheiro
Sem lar algum, absorto.
Tanto e tudo torto.
Parece morto,
permanecer absorto.

Não conta seu dinheiro.
Navega e navega inteiro.
Cresce no chão da alma.
Existir como feito, desfeito.
Sem amor, o primeiro,
do último ao primeiro,
navega esse triste marinheiro.

Paixão extrapolante,
delírio de amor mirabolante.
Cadência afrodisíaca, lascívia,
púrpura, fêmea nua,
demarca certo porto,
na rua do pecado.


Carlos Roberto Aricó

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