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7. As sinapses

16/07/2018

Conforme é do conhecimento científico, a principal função dos neurônios nas sinapses é de inibição ou excitação. No contexto da memória, parte dessas sinapses articulam-se de modo estrutural. Também se sabe que as associações entre os neurônios, por meio de tantas sinapses, são praticamente infinitas. Estou repetindo o que me parece fundamental.

Os neurônios surgem na natureza para a criação das condições necessárias a fuga e a caça que exigem mobilidade muito rápida. É claro que o homem é o animal mais rápido nessas associações neuronais e como decorrência também nas associações linguísticas. Já as plantas possuem menor velocidade, o que é bastante visível, e necessitam apenas da luz solar e da água para manter a fotossíntese. Não necessitam sofisticar um sistema nervoso sempre neuronal.

Nos animais, as sinapses podem estabelecer caminhos funcionais para tarefas momentâneas e vias estruturais articuladas com a memória. Caso evidente em nossa espécie, imaginem a quantia de vínculos possíveis no encontro associativo de bilhões de neurônios: um número quase infinito em tantas possibilidades objetivando adaptação e sobrevivência dos mais aptos durante os milhares de anos na seleção natural das espécies. Foi Sherrington, na Inglaterra, o inventor do termo sinapse e ele demonstrou seu papel de excitação ou inibição funcionais. Vejam, 100 bilhões de neurônios estão em jogo no ser humano, imaginem que desses 100 bilhões, pelo número de sinapses que ocorrem, muito provavelmente existem trilhões de comunicações, de circuitos entre as sinapses nervosas. Ou seja, isso provavelmente diz respeito ao número quase infinito de possibilidades que nós encontramos no indivíduo. Talvez isso explique a unicidade de cada um de nós. Universo incrivelmente grande e numérico, universo de constelações infinitas, ou seja, é assim na terra como no céu, há uma imensa quantidade de possibilidades e probabilidades na articulação, na associação desses bilhões de neurônios e trilhões de sinapses. Sabe-se que cada sinapse pode envolver neurônios com muitas de associações.

Perdemos cerca de 500 neurônios por hora e todos os componentes de cada organismo, a nível químico, a nível celular, a nível molecular são sempre renovados e podemos afirmar, do que se sabe atualmente, que todas as moléculas são trocadas, todos os átomos são trocados e isso acontece a cada nove anos aproximadamente.

Na morte os átomos continuam existindo, mas agora estão separados. A organização em um ser humano específico e único não existe. Somente recordações nas pessoas próximas. Somente lembranças do passado. A organicidade desintegra-se e a ciência não consegue explicar muito mais do que a síntese de alguém e sua desintegração nos aspectos orgânicos. Isso abre caminho para a religião florescer.

É importante a reflexão sobre os átomos que estão aí constituindo toda materialidade do mundo. Eles não se perdem, são sempre os mesmos e somente mudam de lugar. Apenas são destruídos por intermédio da fusão ou fissão nuclear, artefatos humanos, demasiadamente humanos.

Sabe-se que cada sinapse pode envolver neurônios com milhares de associações. Talvez milhões. No amplo espectro que existe, de um lado os gênios de outro os imbecis. Música harmoniosa ou ruído. Dessa forma caminha nossa humanidade em seus tortuosos descaminhos: em suas infinitas possibilidades. O acaso e algum determinismo desconhecido vão originando os tortuosos descaminhos nos quais gravitam infinitas possibilidades. Nossa humanidade caminha e claudica.


Na próxima semana escreverei sobre um pouco da minha história.

COSMONAUTA

Cosmonauta en la noche espacial,
solo y solo
enigmas y sombras
danzan en mi pensamiento.
Sin novedad,
todo se vuelve alrededor,
en las mismas constelaciones.
No soy aire ni soy estrela.
Camino sonámbulo
oyendo el rumor silencioso
del sueño.


Poesia publicada no livro "Luz e Sombra", de minha autoria.

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