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45. História do sujeito 2

13/05/2019​

Cada sujeito está associado a mecanismos e posições definidas: o aluno a sua escola, o operário a sua máquina, o enfermo a seu leito, o criminoso a sua cela prisional, o prefeito a sua mesa de trabalho e assim por diante em todas as outras profissões. É claro que os que mandam ocupam os lugares melhores, como sempre ocorre. Isso já foi enfatizado várias vezes

O lícito e o ilícito, o permitido e o proibido, o privado e o público obedecem à lei e às estruturas de poder. A sexualidade permitida e a não permitida (talvez até mais prazerosa) são distintas e encontram diferentes caminhos no universo social. Sexualidades múltiplas e prazeres múltiplos obedecem a leis diferentes, articuladas ao poder dos mais fortes economicamente. Relacionamentos poliafetivos: não. O prazer perverso ou anômalo, ou simplesmente diverso, depende da psiquiatrização normativa dos sistemas como um todo, que flui em direção dos indivíduos constituídos e constituintes do saber psíquico.

Como se sabe, tanto falar de sexo como não falar pode estar a serviço do poder e, consequentemente, da política. Na história, o sexo foi e continua sendo articulado com o “establishment”, mesmo sendo uma parte importante de cada indivíduo em busca das próprias identidades. Quando se procura a verdade sobre sexo, pode-se chegar à conclusão de que não existe, menos ainda em plenitude. É algo tão construído dentro da nossa linguagem que somente pode ser considerado como mais uma interpretação, bem longe da ciência.

As interpretações estão muito distantes do biológico e, portanto, da organicidade. Cada coisa somente pode ser compreendida como uma associação de ideias que constitui a linguagem e o pensamento. Muitas vezes. fabrica-se a sexualidade. Seu uso é moral e depende do “status quo” e, portanto, da posição social de quem a exerce e de como isso se realiza nas relações do sujeito com o outro.

É importante levarmos em conta que, para Foucault, o indivíduo moderno é constituído pela norma e o indivíduo antigo, pela ética evidentemente moralizante. Para nós, tanto a norma como a ética constituem o sujeito no âmago das relações de poder e no domínio das relações dentro do próprio sujeito. Também não se deve esquecer que o sujeito lida com os outros (realidade externa), com o próprio mundo interno e com os elementos da metapsicologia freudiana.

Consciente, pré-consciente e inconsciente, próprios da primeira tópica freudiana junto com id, ego e superego, próprios da segunda tópica freudiana, criam junto das estruturas de poder a fundamental articulação do sujeito consigo mesmo, do sujeito com o outro e do sujeito com o mundo. Norma e ética estruturam-nos e nos orientam face ao poder e à política vigente.

A liberdade é, na grande maioria das vezes, influenciada pelas estruturas de poder, como já salientamos muitas vezes. Acredito que quase nunca conseguimos fazer uma escolha totalmente livre. As escolhas enunciam em seu interior o “status” dominante, que faz o sujeito gravitar no âmbito do quem pode mais, do mais livre e de quem possa fazer com mais liberdade suas escolhas, principalmente articuladas ao prazer, ao sexo e à própria agressividade. A perversão e outros comportamentos anômalos nunca são neutros em relação à política de nosso tempo. Escolha pessoal e autodeterminação dependem sempre das estratégias de quem as pratica. Os atos e os discursos não costumam ser só razoáveis e neutros. Obedecem ao desejo humano e suas consequências geralmente perigosas dentro do "status quo".


Escreverei sobre a profissão impossível: o psicanalista, para enunciar suas bases originais.

UM MAR

Navego em lago revolto.
Há sereias e seios,
quebrando anseios.
eterno naufrago
nas ondas curvilíneas
do seu corpo.

Algo rígido rasga meu peito
e seu coração.
presente abraço
compasso do verão.
Então navego.
Navego em lago revolto.


(Poesia de minha autoria)

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