170. Brasil, Catar e FIFA
As ideias e políticas prometidas, ou mesmo utilizadas, criaram os estados ao redor do planeta. Nossa civilização sofre com as vicissitudes democráticas, ditatoriais, dos reinados, tribos e quaisquer outros agrupamentos humanos.
Protestos nostálgicos e contraprotestos dificultam a liberdade de escolha. Os partidos políticos costumam originar mortes, assassinatos, exilados e vencidos. O partido único originou um comunismo falso e sem esperança. O mundo livre não pode nem vislumbrar certo socialismo, com menos desigualdade.
Continuamos a esperar políticas transformadoras, objetivando despertar ânimo e vida melhores. Porém, isso só seria possível a partir de mudanças nas estruturas de poder.
Neste mundo é difícil separar os policiais dos espiões, os pobres dos ricos, os opressores dos oprimidos, os que mandam dos obedientes. Devemos criar condições verdadeiras para mudanças ou iremos embora para onde? As fronteiras existem com locais bem fechados.
É bem importante saber que a sociedade só pode ser civil. A liberdade em cada país deve respostas à comunidade internacional. A ONU origina normas, tratados e recomendações globais por ser uma instituição respeitada no âmago de cada sociedade. Não se pode executar nenhum líder mesmo em face de processos revolucionários. Somente a verdade tem dever livre. Sabe-se que é muito difícil o entendimento do que é ser livre, pois isso implica dúvidas e interrogações múltiplas.
O futebol, ou outro esporte qualquer, não deve encobrir o social.
Conforme assinala Lea Ypi: “Quando a liberdade finalmente chegou, foi como um prato servido congelado. Mastigamos pouco, engolimos rapidamente e continuamos com fome”. Isso é bem triste, mas, infelizmente, verdadeiro. Brasil, Catar e Fifa: acreditem.
Como se sabe, esses nomes tão falados recentemente referem-se a múltiplos elementos e não apenas questões semânticas. Como sempre, são representativos das coisas envolvidas, faladas ou escritas.
São símbolos, mas a materialidade daquilo que representam é duvidosa e até improvável. Já escrevemos sobre isso em outras narrativas. São símbolos que estão na moda, na escrita e na fala de nosso cotidiano. Os interlocutores, espectadores, livros e sons estão em mudança constante. Há desastres, mortes, júbilos, indiferença, discussões, certezas e falsidades. As verdades são apenas momentâneas e na maioria das vezes virtuais.
Hoje, está muito difícil o pão para todos, assim como o circo. Muita coisa só é utilizada para encobrir as tristes dificuldades atuais. O futebol, como outro esporte qualquer, serve para encobrir nossas dificuldades, que ocorrem no cotidiano.
PREÇOS
Custo de vida,
nas alturas!
Os homens, as mulheres
aturam.
Custo de vida alto,
até nas sepulturas.
Crianças sofrem.
Todos e todas sofrem.
Desjejuns, sortes.
Seria melhor a morte?
Nunca o sonho.
Onde tudo e tanto
começa ou acaba.
Inclusive nosso pranto!
Carlos Roberto Aricó
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